Mulheres na tecnologia: oportunidades, desafios e personagens emblemáticas

Quem pensa que o mercado de tecnologia é dominado por homens, certamente não está ciente do histórico de importância das mulheres na tecnologia.

Muito se fala sobre tecnologia nos dias atuais. Geralmente, o que vem na cabeça de muitas pessoas quando se fala sobre isso é a internet, que usamos para trabalhar, nos comunicarmos com família e amigos ou consumir informações sobre o mundo inteiro. No entanto, o trabalho em tecnologia é um mercado muito mais amplo, que abrange computação, programação e ciência.

Erradamente a sociedade vê a indústria da tecnologia com uma carga masculina, mas você sabia que as mulheres são pioneiras no segmento?

Em celebração ao mês das mulheres, vamos abordar neste artigo o real papel das mulheres na tecnologia, como incentivá-las a seguir carreira na área e trazer algumas mulheres inspiradoras pelo mundo. Confira!

Panorama do mercado de trabalho em tecnologia

A revolução industrial vêm desde o século passado, mas neste milênio a tecnologia está evoluindo cada vez mais rápido. E isso impacta também no mercado de trabalho em tecnologia.

Quem já não ouviu falar em empregos que correm risco de extinção nos próximos anos? Os operadores de telemarketing serão substituídos por robôs, os caixas de banco não existirão por causa das transações digitais e até os caixas de autoatendimento em supermercados já estão em vigor em alguns países, realocando atendentes para outras funções. 

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Por isso, ao longo dos anos os trabalhadores adicionaram novas competências para se destacar profissionalmente: habilidades com tecnologia.

De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Brasil precisará qualificar 10,5 milhões de trabalhadores na indústria até 2023. O destaque é para novos empregos, que têm as maiores taxas de crescimento, com ocupações que têm a tecnologia como base. 

Além dos condutores de processos robotizados, estão pesquisadores de engenharia e tecnologia (aumento de 17,9%); engenheiros de controle e automação, engenheiros mecatrônicos e afins (14,2%); diretores de serviços de informática (13,8%); e operadores de máquinas de usinagem CNC (13,6%). 

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A partir desse contexto, a participação feminina no mercado de tecnologia cresceu 60% em cinco anos. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o número passou de 27,9 mil mulheres para 44,5 mil em 2020, reforçando as milhares de oportunidades que elas podem encontrar no setor.

“Eu vejo as empresas [de tecnologia] criando um movimento cada vez maior de incentivo à mulher. É um momento bem interessante. Tem mais mulheres no board, para ouvir opiniões diferentes e ter um olhar diferentes”, relata Angelica Dal Bello, gerente de TI da Lojas Colombo, em webinário.

Angelica foi a convidada do Conversas uMov.me de março de 2022, quando se reuniu com Giulia Baretta,  gestora de Crescimento na uMov.me, e Luciane Ribeiro, coordenadora de Desenvolvimento Humano na uMov.me, para falar sobre as oportunidades e desafios enfrentados pelas mulheres na tecnologia. 

Sobre a fala de Angelica, Luciane complementa:

“As empresas de tecnologia foram inovadoras ao trabalhar com a diversidade – de gênero, de raça, enfim. Acho que a tecnologia foi a grande revolucionária nesse sentido, ao trazer toda essa possibilidade de ambiente diverso, porque a gente constrói a inovação através de mentes que pensam diferente. Por conta disso, o mercado tradicional acabou, também, se voltando a esse movimento”.

Mas a presença feminina no mercado da tecnologia não é de hoje…

O real papel das mulheres na tecnologia

Mesmo em um ambiente culturalmente masculino, a tecnologia sempre teve espaço para as mulheres – e atualmente está crescendo cada vez mais. A prova disso é a lista da BBC de 100 mulheres que estão liderando mudanças e fazendo a diferença nesses tempos conturbados de pandemia de coronavírus, crise econômica, avanço da fome e mudanças climáticas.

Algumas delas se utilizaram de algum tipo de tecnologia para que seu projeto desse certo, como é o caso de Macinley Butson, cientista e inventora da Austrália. 

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Ela inventou dispositivos que tentam melhorar a radioterapia para pacientes com câncer de mama e o fornecimento de água potável em comunidades mais pobres. 

Outro caso é da executiva Karen Dolva. A norueguesa criou dois produtos: AV1, um avatar de telepresença que visa combater a solidão de crianças e jovens afetados por doenças de longa duração, e KOMP, um dispositivo de comunicação de um botão projetado especificamente para idosos.

A timidez das mulheres na tecnologia tem explicação: estereótipos de gênero no segmento. De acordo com Katherine Coffman, professora da Universidade de Harvard, as mulheres na tecnologia não têm confiança em sua capacidade de competir em áreas nos quais se acredita que os homens têm um desempenho mais forte, como ciência, matemática e tecnologia.

Ainda na mesma pesquisa, Katherine afirma que mesmo as mulheres na tecnologia com talento têm mais probabilidade do que os homens de ignorar os elogios e rebaixar suas próprias habilidades.

Felizmente, essa falta de confiança nas próprias competências não foi identificada em várias mulheres que trabalharam com tecnologia no passado.

Olha o quanto as mulheres já contribuíram para a tecnologia!

Ada Lovelace

Uma das pioneiras em ciências da computação, a Condessa de Lovelace é considerada a primeira programadora da história. No século XIX, Ada foi responsável por classificar o algoritmo contido na máquina analítica, o primeiro modelo de computador do mundo. 

No entanto, na época não existia o maquinário necessário para colocar seus estudos à prova – mais de 100 anos após a sua morte, as anotações da Condessa foram republicadas e comprovadas que o seu algoritmo estava correto.

“As garotas do ENIAC”

O grupo de seis mulheres foram batizadas de “garotas do ENIAC” por serem as primeiras a trabalhar com supercomputadores e ainda foram as responsáveis pela sua configuração.

Betty Snyder, Marlyn Wescoff, Fran Bilas, Kay McNulty, Ruth Lichterman e Adele Goldstine operavam manualmente mais de três mil interruptores e botões que ligavam um hardware de 80 toneladas no maquinário, além de criar protocolos utilizados até hoje.

Grace Hopper

Pioneirismo deveria ser seu sobrenome. Grace foi a primeira mulher a se formar na Universidade de Yale com um PhD em matemática, a primeira almirante da marinha dos EUA e uma das criadoras do COBOL, uma linguagem de programação para bancos de dados comerciais.

Além disso, Grace ainda criou linguagens de programação para o UNIVAC, um dos primeiros computadores comerciais fabricados nos Estados Unidos.

Mulheres inspiradoras pelo mundo

É claro que a liderança feminina na tecnologia não é coisa do passado. 

Hoje, vemos que a quantidade de mulheres nas oito principais empresas de tecnologia do mundo (Apple, Microsoft, Alphabet Inc, Amazon, Meta) aumentou 238% mais rápido que os homens. Três executivas dessas empresas estão entre as 15 mulheres mais poderosas do setor de tecnologia da Forbes: Sheryl Sandberg, diretora de operações do Facebook, Meg Whitman, CEO da HP (14º) e Susan Wojciki, CEO do YouTube (15º). 

Muitas mulheres na tecnologia aproveitam suas posições de poder para impulsionar a igualdade de gênero no setor. É o caso de empresas como a Girls Who Code, fundada por Reshma Saujani, que objetiva empoderar as mulheres por meio da tecnologia, e a GoldieBox, de Debbie Sterling, que desenvolve brinquedos de engenharia e construção para meninas.

Poderíamos passar o dia listando mulheres incríveis na tecnologia, mas selecionamos algumas delas neste artigo. Conheça mulheres inspiradoras ao redor do mundo abaixo!

Gwynne Shotwell, presidente e COO da SpaceX

Como presidente e Chief Operating Officer (COO), Gwynne Shotwell administra as operações da SpaceX, fabricante estadunidense de sistemas aeroespaciais, transporte espacial e comunicações fundada por Elon Musk. A norte-americana recebeu um Prêmio Mundial em Tecnologia na categoria “Individual Achievement in Space” e seu nome ficou gravado no hall internacional da fama das mulheres na tecnologia.

Através da sua liderança, tanto corporativa como em programas externos, Gwynne ajudou a arrecadar mais de US$ 1.4 milhões para programas de educação em STEM. 

Azmina Dhrodia, líder de política de segurança do Bumble

Nascida no Canadá, Azmina é uma das maiores especialistas em gênero, tecnologia e direitos humanos. Atualmente ela trabalha como chefe de política de segurança do aplicativo de relacionamento Bumble. 

Em julho de 2021, Azmina organizou uma carta aberta por ações concretas para combater o abuso nas redes sociais, que foi assinada por mais de 200 mulheres influentes. 

Previamente, a canadense trabalhou com direitos de gênero e dados na World Wide Web Foundation, além de várias empresas de tecnologia para criar experiências online mais seguras para mulheres e comunidades marginalizadas.

Sara Wahedi, CEO e fundadora da startup Ehtesab

A Ehtesab, startup criada pela afegã Sara Wahedi, teve como primeiro produto um aplicativo que envia alertas de segurança, energia e trânsito em tempo real aos moradores de Cabul.

A interface informa a população sobre a natureza e a extensão do perigo em seu entorno, compartilhando informações confiáveis sobre ataques com dispositivos explosivos improvisados, linchamentos públicos e invasões a domicílios, efetivamente contribuindo para a segurança no país.

Sara pretende lançar, em 2022, uma nova ferramenta de alerta por SMS para que moradores de áreas rurais do Afeganistão tenham acesso ao serviço.

A empresária de tecnologia integra a lista de “Líderes da próxima geração”, da revista Time Magazine de 2021 e a BBC 100 Women, lista de mulheres inspiradoras e influentes de 2021.

Raj Seshadri, presidente de dados e serviços na Mastercard

Na Mastercard, Raj Seshadri é responsável pela entrega global de diversas capacitações, incluindo serviços de analytics, consultas, engajamento e inovação. 

Raj é membro do conselho de diretores da Raymond James Financial Inc. e do conselho administrativo da escola de pós-graduação em Negócios de Stanford. Além disso, ela integra a mesa conselheira para o South Asian Youth Action e o conselho global da American India Foundation.

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Como incentivar mulheres para seguir na tecnologia

Como vimos ao longo do blog, um número cada vez maior de mulheres embarca no setor da tecnologia nos últimos anos. Contudo, ainda existe um gap no volume de oportunidades — apenas 38% das formandas estão atuando na área, enquanto os homens seguem com 53%, de acordo com a National Science Foundation.

Muitas mulheres deixam a ideia de lado por não terem informações suficientes sobre o que, de fato, envolve o trabalho com a tecnologia — é o que aponta um estudo da PwC

Por isso, o primeiro passo é fazer com que essas informações cheguem à população feminina. Algumas brasileiras já criaram programas para incentivar mais mulheres a entrarem no mundo tecnológico. É o caso de iniciativas como a InfoPreta, Women Up Games, PyLadies, Minas Programam, PrograMaria, Mulheres na Computação, Reprograma, entre outras.

Para as uMovmers Luciane e Giulia, a gestão também tem um papel importante para acomodar lideranças femininas dentro da empresa.

“Eu penso que faz parte do processo de liderar a responsabilidade de tentar criar um ambiente legal para se trabalhar. Um lugar acolhedor, de engajamento, que mulheres em um mercado um pouco masculinizado às vezes não encontram. Então a liderança também tem um papel ativo nesse sentido”, ressalta Luciane.

“O ambiente tem que proporcionar uma articulação entre diferentes tipos de ser, jeitos de trabalhar e de se relacionar. Isso faz toda a diferença”, diz Giulia, complementando a fala da colega.

A partir disso, organizações que pretendem trazer novas colaboradoras para a área da TI precisam mostrar como a tecnologia é uma força do bem. Isso porque, segundo a PwC, impacto e relevância social são questões decisivas para a escolha de carreira das mulheres. 

“Para quem que iniciar [no mercado de TI], tem o programa +praTI, uma plataforma que tem vários cursos. Acho bem bacana experimentar nela. Conversar com pessoas de TI, pois através das conexões, vocês verão inúmeros treinamentos gratuitos que estão sendo dados dentro de empresas, perto de onde moram ou não. E, também, participar de grupos”, indica Angelica.

As mulheres na tecnologia da uMov.me

Sendo uma empresa que cria aplicativos B2B por meio de uma plataforma no-code, a uMov.me tem o prazer de trabalhar e aprender com as mulheres que lidam diretamente com a tecnologia na empresa – que, atualmente, são 45,6% do quadro de funcionários.

“A construção social, desde que somos crianças, é para a mulher se direcionar a áreas de humanas e relacionamento. É importante ter o apoio familiar, pois, muitas vezes, a mulher é desencorajada”, relata Luciane.

Sobre o receio de muitas mulheres para integrar o setor, Giulia compartilha como foi a sua própria experiência na TI: 

“Eu sei que eu gosto. Mas será que eu vou me sentir bem lá dentro? Será que eu vou ser bem recebida? Para mim, sempre foi muito fácil. Sempre fui extremamente bem recebida e bem tratada e nunca me senti diferente de ninguém. Claro, pode ter sido sorte. Mas acho que fica um incentivo pra ninguém ter medo, pois existem alguns ambientes que são super receptivos”.

Considerações sobre as mulheres na tecnologia

Acredito que este artigo pôde, de alguma forma, mostrar a importância e poder das mulheres na tecnologia. Não há dúvidas que mulheres são tão capazes e brilhantes quanto homens nesse ramo e o quanto ainda podem contribuir para uma sociedade mais ágil, responsável e consciente.

No Conversas uMov.me sobre “Mulheres na TI: oportunidades e desafios no mercado”, realizado no Dia Internacional da Mulher de 2022, reunimos três mulheres do setor para compartilhar suas vivências.

Mediado por Giulia Baretta, gestora de Crescimento na uMov.me, a conversa conta com a presença de Angelica Dal Bello, gerente de TI da Lojas Colombo  e CIO da SUCESU-RS, eleita a CIO de maior destaque no 4CIO Sul 2021, além de Luciane Ribeiro, coordenadora de Desenvolvimento Humano na uMov.me. 

Confira o webinário completo!

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