USO COMBINADO DE MICROALGAS E WETLANDS CONSTRUÍDOS COM FLUXO VERTICAL COMO TRATAMENTO TERCIÁRIO DESCENTRALIZADO DE EFLUENTE SANITÁRIO

O presente trabalho envolveu o desenvolvimento de um sistema de tratamento de efluente doméstico combinando o uso de biofilme de microalgas com wetlands construídos de fluxo vertical, objetivando seu uso como tratamento descentralizado. O sistema apresentou uma configuração em série de três caixas de duzentos litros cada de polietileno de alta densidade com formato retangular, sendo a primeira destinada ao tratamento com microalgas (MA), enquanto a segunda (WC 1) e terceira (WC 2) foram destinadas ao sistema de wetlands construídos com regime hidráulico vertical descendente em batelada. O afluente do processo foi captado na caixa equalizadora da estação de tratamento de efluente (ETE) passando por um decantador, seguido de 3 tanques anaeróbios para tratamento secundário. A caixa com microalgas foi o ponto inicial de alimentação do efluente proveniente de um reator anaeróbio destinado ao tratamento secundário. Um suporte de acrílico foi utilizado como base para a adesão das microalgas desenvolvidas espontaneamente no efluente. O sistema contou com recirculação por bomba submersa com vazão de 520 L.h^(-1) que distribuía continuamente o efluente sobre toda a superfície rugosa com carga hidráulica de 0,27 mm.s^(-1) . O sistema também contou com iluminação automática por LED de 600 lúmens durante a noite acionada por um fototransistor. As duas caixas de WC’s apresentavam a mesma configuração, tendo o substrato composto por 150 mm de cascalho na base para drenagem, e 400 mm de brita n°2. A macrófita utilizada foi a Hymenachne grumosa com uma densidade de 24 brotos por metro quadrado. O sistema foi divido em duas fases: Fase I e Fase II. Durante a Fase I foram testados dois tempos de detenção hidráulica, o primeiro de 21 dias, sendo 7 dias em cada um dos tanques, e o segundo com 14 dias de TDH, sendo 7 dias destinados ao tanque de microalgas e 7 dias nos dois WC’s que eram alimentados simultaneamente pelo efluente proveniente do tanque de microalgas. Para o TDH de 21 dias, o tanque de microalgas foi alimentado com 71 litros, sendo que após 7 dias o efluente foi repassado para o WC 1 com taxa hidráulica de 0,14 m 3 .m^(-2) , e após outros 7 dias foi repassado para o WC 2, onde foi tratado pelos últimos 7 dias antes de ser descartado. Já para o TDH de 14 dias, o tanque MA foi alimentado com 101,2 litros, sendo repassados 50,6 litros simultaneamente para cada tanque, contabilizando uma taxa hidráulica de 0,10 m^(3) .m^(-2) . Durante a Fase II o regime hidráulico apresentou TDH de 21 dias. O uso integrado de biofilme de microalgas e wetlands construídos de fluxo vertical indicou ser um sistema de tratamento eficiente na remoção de cargas poluidoras, contabilizando para a redução da condutividade (49%), STD (48%), turbidez (98%), cor aparente (82%), nitrogênio amoniacal (99%), nitrogênio total (70%), fósforo solúvel (44%), COT (69%), IC (86%), TC (83%) e DQO (72%). O tanque de microalgas contribuiu com uma média de 76 ± 24% da eficiência total do sistema, e para nitrogênio amoniacal, IC e TC a contribuição foi de 100%, indicando ser mecanismo chave para a viabilidade do tratamento. O sistema também possibilitou a total detoxificação do efluente, reduzindo em 100% a ecotoxicidade aguda logo após o primeiro tanque.

Autor: GLEISON DE SOUZA CELENTE
Orientador: Dr. Eduardo Alexis Lobo Alcayaga - orientador (UNISC) Dr. Ênio Leandro Machado – coorientador (UNISC) Dr. Adilson Ben da Costa (UNISC) Dr. Leonardo Rörig (UFSC)
Programa de Pós-Graduação: UNISC TECNOLOGIA AMBIENTAL
Ano de defesa: 2018
Área do conhecimento: BIOLÓGICAS
Área: Biorremediação

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