Por que as relações de trabalho vão definir o futuro do seu negócio?

Podemos entender por relação de trabalho todo e qualquer relacionamento entre um empregador e seus empregados, ou ainda entre duas empresas (aqui usaremos também os termos organizações e negócios).

Há muito tempo esse assunto vem sendo tratado por administradores, advogados, comunicadores e outros diversos especialistas na área, mas só nos últimos anos que as empresas têm dado a devida importância para o que essas pessoas têm a dizer.

O advogado Henrique Hermann, sócio da Hermann Advogados, trouxe o tema “O Futuro das Relações de Trabalho” para a palestra realizada na uMov.me Arena. Com a participação de Felipe Beck (fundador e head de cultura da BetaHauss) e dos fundadores da Dobra, Eduardo Seelig e Guilherme Massena, o evento realizado na tarde do dia 17 de junho de 2019 fez todos que estavam presentes repensarem a forma como estão gerindo as relações de trabalho em seus negócios.

Ao continuar lendo esta página você vai entender porquê é importante refletir sobre este assunto e quais são os riscos que sua empresa corre caso não comece a se transformar neste exato momento.

As relações de trabalho e o futuro do seu negócio

O trabalho sempre esteve presente em nossas vidas, porém sofrendo grandes mudanças desde as primeiras revoluções. Hoje, as pessoas não trabalham apenas por questão de sobrevivência ou para suprir suas necessidades básicas.

Está cada vez mais alta a busca por organizações que possibilitam flexibilização de horários, que ofereçam ambientes agradáveis de trabalho e, ainda, que prezam pelo relacionamento saudável tanto com seus empregados quanto com seus clientes.

Mas afinal, como a maneira com que você lida com seus empregados e clientes pode afetar no futuro do seu negócio? A resposta é simples: se a sua empresa não conhece (ou apenas finge que conhece) todos aqueles que nela trabalham, se não mantém um diálogo e não dá espaço para que haja colaboração de todas as partes, ela possivelmente está com os dias contados.

É aí que entra a gestão horizontal, um dos primeiros passos para se adaptar ao novo mundo.

Gestão Horizontal

“A hierarquia está caindo dentro das empresas no mundo inteiro”, destacou Henrique Hermann. Isso quer dizer que as empresas estão adotando o modelo de gestão horizontal.

Neste modelo de gestão as relações de poder dão espaço à colaboração, onde as decisões são tomadas em conjunto e as responsabilidades são divididas. Os empregados são incentivados a se posicionarem e a expressarem suas opiniões.

Os gestores estão mais próximos de todos os profissionais que trabalham na organização, o que possibilita observar de perto as habilidades de cada um. Envolver essas pessoas nos processos de decisão as torna mais produtivas e então se tem a oportunidade de explorar e trazer para o jogo profissionais que são dotados de conhecimentos nunca antes postos em prática.

As empresas devem cultivar o diálogo, a transparência e a relação saudável com seus empregados. Muitas que ainda possuem um modelo de gestão vertical e não democrático acabam sobrepondo os resultados à qualidade de vida no trabalho, algo nada inteligente.

Algumas empresas que adotam o modelo de gestão horizontal são a Netflix e o Google, dois cases de sucesso que inspiram qualquer negócio.

A colaboração, portanto, é um dos segredos dessa horizontalização que está tomando conta de grandes negócios. Se você quer manter o negócio que construiu de pé, deve começar por aí.

Ainda neste texto iremos mostrar como a Hermann Advogados, a Dobra e a BetaHauss trabalham sua transformação investindo nas relações de trabalho com seus empregados.

Discurso e prática devem caminhar juntos

Manter o alinhamento entre o discurso da empresa e o que de fato ela faz na prática é crucial. Com o avanço da tecnologia e o aumento no número de pessoas que estão inseridas nas mídias sociais, as empresas que não são transparentes não conseguem permanecer impunes por muito tempo.

Algumas organizações pensam que investir em ambientes descontraídos, com cores vivas e cheios de “distrações” é algo que basta. Mas, afinal, o que há por trás dos pufes e paredes coloridas?

Há empresas que externamente se mostram preocupadas com seus empregados mas que na verdade ainda possuem uma gestão autoritária, que não sabem lidar com a diversidade e que não vivem em harmonia. Essas que dizem ser uma coisa mas acabam se mostrando outra totalmente diferente, são as que não têm chance nenhuma de sobrevivência. As empresas precisam superar a perspectiva que enxerga os empregados apenas como recursos e assumi-los como parceiros, como pessoas que têm capacidade de construir junto.

Para que o pior não aconteça com o seu negócio, é preciso mudar e se adaptar. “As empresas que têm a capacidade de se adaptar são as empresas que possuem o poder da transformação”, afirmou Felipe Beck.

Mudanças não são fáceis e devem ocorrer gradualmente, ou seja, um passo de cada vez. Procure sempre manter seu discurso alinhado às suas práticas. Não diga que sua empresa é algo que ela (ainda) não é.

Quem está mudando tem muito a ensinar

A Hermann Advogados, a BetaHauss e a Dobra são empresas que já estão seguindo este caminho da transformação. Seus representantes compartilharam para quem estava na uMov.me Arena o que já estão fazendo para aperfeiçoar as relações de trabalho em seus negócios. Agora, vamos compartilhar com vocês.

Hermann Advogados

Para sair do modelo tradicional de escritórios de advocacia, a Hermann Advogados decidiu que era momento de inovar. Apostaram alto e hoje se destacam na área.

Henrique trouxe para a palestra alguns dados que mostram que no ranking de produtividade de cada trabalhador em diversos países, o Brasil ocupa a posição de número 75, ou seja, os trabalhadores brasileiros possuem baixa produtividade.

Segundo as informações mostradas pelo palestrante, as principais razões para isso acontecer são: falta de tecnologia e infraestrutura, burocracia, ineficiência econômica, falta de interesse dos profissionais em buscar resultados, alta rotatividade, baixo nível educacional e baixa qualificação.

A partir da mudança nas relações de trabalho, o gestor tem abertura e pode influenciar produtivamente a evolução de seus empregados, transformando positivamente esse cenário.

A maioria dos escritórios de advocacia tem a visão do capital (lógica desde a revolução industrial no século XVIII) x trabalho (um contra o outro). A Hermann Advogados adotou uma perspectiva mais positiva e saudável para a cultura da empresa: capital + trabalho, ou seja, um ajudando o outro na busca de crescimento mútuo + colaboração/ganha-ganha e ética/compliance.

Algumas mudanças que ocorreram dentro da Hermann Adv:

● Convite para todos os advogados serem sócios;
● Fomento do crescimento de todos os empregados;
● Alinhamento de todos com o propósito do escritório;
● Todos têm participação efetiva nos lucros do escritório.

“Precisamos transformar potencial em potência. As pessoas precisam ter vontade de acordar e ir trabalhar. O empregado deve ser a estrela do negócio”, destacou Henrique.

BetaHauss

A BetaHauss tem “o propósito de desenvolver o poder de transformação dos negócios através de uma cultura organizacional mais ágil, inspiradora e conectada à realidade que vivemos e viveremos”.

Hoje, as organizações precisam ter capacidade de se adaptar às novas realidades, e é isso que a BetaHauss propõe para aquelas empresas que entendem que precisam mudar e que atuam de formas diferentes.

“A empresa precisa ser uma fábrica de inovação. Precisa entender que há a necessidade de se transformar constantemente. Empresas que não se disponibilizam a mudar, que têm enraizado o “é isso que sei fazer e é só isso que vou fazer”, vão acabar enfrentando barreiras no caminho”, afirmou Felipe Beck.

Mas como inovar se o seu negócio está inserido em um segmento tradicional? Felipe respondeu: “poucas empresas sabem como fazem e pouquíssimas sabem o que fazem. Entender o que faz, como faz e por quê faz é a primeira coisa a se fazer. Mapear cenários e oportunidades”.

Para finalizar a palestra da BetaHauss, diante de todo esse cenário de transformação e da necessidade de aperfeiçoar as relações de trabalho para que o futuro das organizações não seja comprometido, Felipe deixou o questionamento: a sua empresa estará aqui amanhã?

Dobra

Case de sucesso no Facebook e no Instagram e uma das dez startups mais conscientes do Brasil, a Dobra é um exemplo de organização que pensa no futuro das relações de trabalho e investe no modelo de gestão horizontal. Os atendimentos engessados e a gestão dos negócios das empresas tradicionais onde não há uma conexão entre pessoa e trabalho são os pontos que incomodavam os fundadores da Dobra, Eduardo e Guilherme.

A partir daí eles começaram a estudar o que estava acontecendo no mundo e observaram que as pessoas estão com a cabeça completamente digital, elas veem o mundo de maneiras diferentes. Porém, essas mesmas pessoas em seus empregos ainda operam como se estivessem em uma linha de montagem, estão inseridas em ambientes completamente tradicionais e inflexíveis.

Ainda no estudo sobre o que estava acontecendo no mundo, eles observaram que nós estamos vivendo em uma sociedade que opera sobre a lógica da escassez, ou seja, as pessoas competem com o mercado para estocar produtos pois acham que não vai ter o suficiente para todos.

E foi então que o Eduardo e o Guilherme começaram a pensar diferente. A Dobra nasceu da lógica de que a colaboração é mais importante que a competição. Os produtos não seriam apenas produtos mas sim ferramentas com o propósito de deixar o mundo mais aberto. Propósito esse que estaria acima do lucro.

Algumas coisas que fazem a Dobra ser quem é:

● Atendimento Humanizado: os empregados se comunicam com os clientes de forma mais descontraída, como se estivessem em uma conversa de WhatsApp. Isso acontece para que as pessoas sintam que estão conversando com seres humanos, ou seja, pessoas iguais a elas.
● Há todo um relacionamento de pós-venda com os clientes. Enquanto as pessoas aguardam a chegada da sua compra pelos correios, a Dobra se comunica com elas através de e-mails, dando dicas de filmes e séries para assistir entre outras atividades para se fazer. Isso é pensar e se preocupar com o cliente.
● Produção Local: todos os produtos são feitos pelos próprios empregados da empresa em um único local. Além disso, eles só produzem quando as pessoas compram, ou seja, é tudo 100% sob demanda, não gerando estoque.

Sobre o jeito de trabalhar na Dobra:

● Gestão Horizontal: todos estão no mesmo nível hierárquico.
● Liberdade de Horários: os empregados têm liberdade para definir seus horários de trabalho, desde que façam todas as suas entregas. Ou seja, com a liberdade é preciso ter responsabilidade.
● Igualdade Salarial: o lucro da empresa é distribuído igualmente para todos.
● O ambiente leve e descontraído ajuda para que os empregados se sintam mais à vontade e também estimula a criatividade.

Além de tudo isso, a empresa mantém seu discurso alinhado às suas práticas. Ela tem um propósito de impacto social e mostra isso em seu programa de reciclagem (todos os produtos são 100% recicláveis) e em suas campanhas de doação.

Mãos na massa

Depois de ler que as relações de trabalho precisam passar por transformações e que as empresas precisam se tornar mais humanizadas e menos mecânicas, é chegada a hora de mudar.

Últimas dicas para você dar o start na mudança:

● Invista na humanização das relações com seus empregados e seus clientes;
● Repense seu modelo de gestão;
● Empresas sustentáveis e engajadas em causas sociais têm mais visibilidade.
Porém, faça isso pra valer, mantenha seu discurso alinhado às suas práticas e
sempre seja transparente;
● Foque nas estratégias para se reinventar.

Agora que mostramos algumas informações e casos, se você ainda pensa que continuar mantendo o mesmo modelo de gestão na sua empresa irá mantê-la viva pelos próximos anos, temos uma péssima notícia para dar. Agora é a hora, comece por pequenas mudanças e veja o seu negócio se destacar neste mundo onde, infelizmente, ainda
poucas organizações entendem que é preciso pensar fora da caixa.

uMov.me Arena: espaço de transformação

A uMov.me Arena é um espaço em Porto Alegre/RS, na sede da uMov.me e tem como missão estimular a troca de conhecimento para a transformação digital com foco na valorização de pessoas.

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